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Santander Integração Tecnológica |
| POR CIBELE GANDOLPHO / FOTO ROGÉRIO PALLATTA |
Poderia ser um final de semana comum, mas o dia 15 de abril de 2006 foi diferente para os funcionários do Santander que estavam de plantão. Eles participaram da maior migração tecnológica já vista no setor bancário brasileiro, a integração das plataformas dos bancos Santander e Banespa, iniciada quatro anos antes. Na segunda-feira, dia 17, as agências abriram suas portas apoiadas num sistema unificado de TI. O projeto consumiu 2 bilhões de reais em investimentos, desde 2001, envolveu 800 profissionais, 2 mil especialistas e 6 mil funcionários e padronizou o atendimento e a oferta de produtos aos 6,9 milhões de clientes dos dois bancos. Com a integração, todos os correntistas do Banespa e do Santander, incluindo os originários dos bancos Meridional, Noroeste, Geral do Comércio e Bozano, adquiridos ao longo dos últimos anos, podem realizar qualquer operação financeira em todos os pontos da rede e no internet banking. Com ativos de 104,1 bilhões de reais no primeiro trimestre deste ano, o Santander é hoje o quarto maior banco privado do país em ativos, com uma rede de 48 962 pontos de atendimento próprios e compartilhados com o Banco 24 Horas e a Rede Verde-Amarela. Depois de realizar diversas simulações nos 15 dias que antecederam a data da grande virada, a integração de Santander e Banespa aconteceu sem muitos traumas. Mas se algo desse errado, o banco tinha na manga 75 planos de contingência elaborados para lidar com todo tipo de risco. |
Nenhum deles foi colocado em prática. "Normalmente os bancos aperfeiçoam os sistemas, construindo novas aplicações sobre o que já existe. Para nós, foi como desligar tudo, jogar fora e começar de novo", diz Angel Agallano, vice-presidente de meios do Santander, área responsável pela renovação tecnológica do grupo. Mas por que demorou tanto? Afinal, quatro anos podem ser vistos como uma eternidade no cada vez mais competitivo mercado financeiro. Agallano não pensa assim. Segundo ele, o período pode ser considerado até curto diante do desafio que a TI enfrentou. "A bagunça era grande. Prevíamos de três a quatro anos para que tudo pudesse funcionar unificado", afirma Agallano. Nesse período, o banco realizou reuniões semanais para a tomada de decisões com um comitê de tecnologia, a diretoria e o presidente, Gabriel Jaramillo. Mudanças de rumo durante o projeto? Agallano é categórico ao dizer que não houve. "A integração foi muito bem planejada. Apenas tivemos de alterar, em alguns momentos, o que era prioridade na implementação dos módulos, invertendo a ordem das operações", afirma. Projeto Altair Depois de desembolsar 7 bilhões de reais no processo de privatização do Banespa, em 2000, o espanhol Santander modernizou todo o parque tecnológico do banco paulista, com a substituição dos aplicativos legados por sistemas do Projeto Altair, plataforma de tecnologia desenvolvida por equipes na Espanha, no Chile e no Brasil. Como o Banespa é o maior banco do grupo no Brasil, a implementação do projeto começou por ele e não pelo próprio Santander. "O desafio foi lidar com o sistema tecnológico ultrapassado e carente de infra-estrutura do Banespa, somado ao alto volume de contas e agências", diz Agallano. O Altair previu a implementação de uma plataforma tecnológica única nas 16 instituições que adquiriu desde 1996, em dez países da América Latina. Entre 2001 e 2005, foram trocados cerca de 20 mil equipamentos de caixa, da retaguarda e de auto-atendimento. No primeiro ano foi criado o Terminal Financeiro Corporativo (TFC), um aplicativo que passou a ser o principal instrumento de trabalho dos funcionários, abrangendo as funções mais importantes do dia-a-dia das agências. O Altair reformulou todos os módulos do banco, como pessoas (cadastro de clientes), tarifas, poupança, contas correntes, compensação, tornando-os compatíveis entre si e permitindo que fossem usados de forma integrada. "Além de modernizar o parque tecnológico, precisávamos implantar os módulos do Altair no Banespa e treinar os funcionários", diz Agallano. A capacitação nos novos sistemas e processos exigiu 4,5 milhões de horas de treinamento dos funcionários dos dois bancos, que participaram de cursos online e em salas de aula. Quando o Altair já estava em fase avançada no Banespa, foi a vez de as agências do Santander começarem a revisar e modernizar sua rede. Em 2005, foram substituídos mais de 4 400 computadores nos 651 pontos de atendimento do banco. Até abril passado, o Santander ainda operava com o sistema antigo e só tinha recebido dois módulos do Altair, os de contabilidade e seguros. No final de semana da integração com o Banespa, todos os módulos do Altair entraram em operação de uma só vez no Santander. "A unificação permitiu que os aplicativos fossem reduzidos de 770 para 473, facilitando as operações bancárias", afirma Angel Agallano. A integração tecnológica do Santander envolveu também o trabalho de vários parceiros, como a BearingPoint, que apoiou o processo de gestão. "Fornecemos metodologias que não estavam ligadas apenas à tecnologia", diz Sérgio Ferry, diretor da BearingPoint. A Accenture desenhou a nova plataforma para adaptação e conversão de dados de sistemas. A G&P desenvolveu cerca de 30 projetos em diversas plataformas para permitir a integração. A Prodacon construiu sistemas como o de arrecadação e pagamentos de benefícios do INSS. A Prime Informática atuou no cash management e na compensação. Mas ainda há o que fazer. O grupo Santander reúne nove bancos na América Latina e totaliza 28 milhões de clientes, 4 200 agências e 64 300 funcionários. "Precisamos manter a TI atualizada e de acordo com as necessidades do mercado", diz Agallano. Para isso, o Santander reservou 300 milhões de reais para investir em tecnologia em 2006.
INFRA-ESTRUTURA DE TI MAINFRAMES: 2
IBM SERVIDORES: 3 000 (1 900 em agências e 1 100 nos CPDs centrais)
PLATAFORMAS: IBM Z/OS 1.6, HP-UX, IBM AIX, Sun Solaris, Windows 2000/2003/XP
BANCO DE DADOS: IBM DB2, Oracle, Microsoft SQL Server USUÁRIOS DO TFC: até 12 000 simultâneos
EQUIPE DE TI: 686 próprios e 1 084 terceirizados
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| Fonte: Info Corporate - Ed. Abril - nº 34 - Julho/2006 |
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